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Número 5 - Paraná, 26 de maio de 2010 |
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DIA DO MEIO AMBIENTE
Em 5 de junho comemora-se o Dia do Meio Ambiente. A data foi criada em 1972, durante encontro promovido pela ONU (Organização das Nações Unidas), com a finalidade de discutir assuntos ambientais. Aproveito o momento para retomar com os leitores uma reflexão, sobre a água, base deste artigo publicado originalmente neste espaço em outubro de 2006. AS ÁGUAS DA CIDADE
Cerca de 70% do corpo humano é água. Você é uma caixa d’água ambulante. A água que está em mim, que está em você, pode já ter feito parte do corpo de um dinossauro, extinto há 200 milhões de anos. Na Terra, água é água, seja sólida, liquida ou gasosa, desde tempos imemoriais. A maioria das cidades tem sua malha urbana cortada por pequenos rios, para onde vertem os esgotos das casas, das fábricas, do comércio e as águas pluviais (águas de chuvas) que, antes de chegarem aos rios, lavam ruas e sarjetas, levando consigo o que encontram pela frente. Dos rios, retiramos a água de beber e a água que irriga e lava as hortaliças que comemos. Entretanto, quase sempre esta água apresenta algum tipo de poluição. A mais comum é a poluição por seres vivos que vivem no intestino dos humanos e de outros animais. São grupos de bactérias, genericamente chamadas coliformes fecais. Sua presença, junto à urina, sangue menstrual, fosfatos (contidos em detergentes e sabão em pó) e restos alimentares, acusa o despejo de esgoto doméstico nas águas. Muitas pessoas ligam, de forma clandestina, o esgoto de suas casas na rede de águas pluviais. Este aparente pequeno crime tem enormes conseqüências. A presença de óleos, graxas e fenóis (estes, cancerígenos) nas águas, revela o despejo de postos de gasolina, oficinas mecânicas e lava-rápidos. A presença de metais pesados (cromo, mercúrio, chumbo, alumínio), também cancerígenos, comprova o despejo de cortumes, malharias, lavanderias, fábricas de baterias, estações de tratamento de água, farmácias, clínicas e hospitais. A presença de agrotóxicos mostra o uso destas substâncias no espaço urbano. Os metais pesados e agrotóxicos, além de provocarem câncer, fixam-se nos tecidos de algas, moluscos e peixes, se transferindo para o corpo de quem os consome. O mercúrio causa danos nos rins, sistema digestório e sistema nervoso. O chumbo, alterações no cérebro. Os coliformes fecais provocam de simples diarréias a mortais abscesso cerebrais e abscessos de fígado. Ainda, onde existem dejetos humanos, pode haver vírus causadores de hepatite e bactérias responsáveis pela febre tifóide. Óleos e graxas formam uma película sobre a água (um litro de óleo cobre 1 hectare de água), impermeabilizando-a, reduzindo as trocas gasosas entre os seres aquáticos e o ar, provocando a morte de algas e peixes. O resultado é o incremento de matéria orgânica, o que aumenta o número de bactérias. Estas, roubando oxigênio da água, aceleram ainda mais o problema. Os fosfatos também aumentam a população de algas e conseqüente aumento do consumo de oxigênio. Resultado: alta mortalidade de peixes e moluscos. A conseqüência final é a morte do rio. Entretanto, um rio poluído pode ser recuperado. A primeira coisa a fazer é parar a poluição. Se o esgoto de sua casa está ligado à galeria pluvial, desfaça a ligação imediatamente. Depois disso, ligue-a à rede pública de esgoto ou a uma fossa; Nunca incinere, enterre ou depeje em pias ou ralos, os seguintes produtos: lustradores de móveis, naftalina, tintas, solventes, limpadores de forno e fogão, polidores de metais ou outros produtos tóxicos. Eles sempre acabarão em um rio ou em lençóis de água subterrâneos; Nunca jogue nada nas ruas e calçadas. Tudo o que está fora do lixo, cedo ou tarde, acabará dentro de um rio; Seja responsável pelo recolhimento das fezes de seu animal de estimação; Exija das autoridades que façam cumprir a Lei que proíbe o despejo de substâncias poluidoras em corpos d’água. Estima-se que, cada real investido em saneamento básico, economiza quatro reais de investimentos em saúde. Com a despoluição das águas, reduzem-se muitas das doenças transmissíveis melhorando os índices de saúde coletiva na cidade. O planeta que, assim como nós, é composto em mais de 70% de água, também ganha com isso. Esta água está dentro das plantas e animais, na atmosfera, no subsolo, nos rios, lagos e mares. Assim, quanto mais limpa, mais equilibrado ele será. A água é quem possibilitou o surgimento da vida, há 3,5 bilhões de anos. Mantê-la da forma como ela nos concebeu é o mínimo tributo que lhe podemos prestar. Foto/arte: Brasil Escola

Luiz Eduardo Cheida é médico, deputado estadual e presidente da Comissão de Ecologia da Assembléia Legislativa do Paraná. Premiado pela ONU por seus projetos ambientais, foi prefeito de Londrina, secretário de Estado do Meio Ambiente, membro titular do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) e do Conselho Nacional de Recursos Hídricos.

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