Número 2 - Paraná, 27 de fevereiro de 2010
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Incentivo à produção e ao consumo de peixe

O ministro da Pesca e Aquicultura, Altemir Gregolin, esteve em Londrina recentemenete para assinatura de convênios de incentivo à pesca e à produção de peixes na região Norte do Paraná. Na ocasião, encontrou-se com o deputado estadual Luiz Eduardo Cheida, presidente da Comissão de Ecologia e Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Paraná. Cheida, quando foi secretário estadual de Meio Ambiente, criou o primeiro tanque para produção comercial de peixes no município de Bandeirantes, cinco anos atrás. O ministro e o deputado - que também é médico - concordam: o brasileiro precisa consumir mais peixes.

Republicamos abaixo crônica escrita por Cheida e publicada originalmente neste espaço em 11 de janeiro de 2008:

TUDO A SEU TEMPO

Há anos espero pelo momento de levar meus filhos para pescar.

Meu pai fazia isso e mal sabia eu que, nestas pescarias, era onde ele plantava e regava no meu peito esse negócio de gostar de natureza. Aliás, é dele a frase lapidar:

 - Filho, a natureza é a coisa mais linda e mais feia que existe!

 Nunca encontrei quem descrevesse com tal síntese o paradoxo amor e temor que todos nutrimos pelo mundo natural.

 Além de duas meninas, uma bióloga e outra jornalista, tenho um menino que faz quatro anos amanhã e outro que já tem cinco.

 Há um certo tempo, lá atrás, chegou o dia!

Varinha de bambu número 2, linha de nylon 0,20, anzol 2, para lambari e seus parentes, chumbada miúda, chapéu de palha, camisa de manga comprida contra mutuca e pernilongo, botinas, embornal de algodão a tira-colo e massa de farinha de trigo como isca.

 - Minhoca, não, porque a gente somos ecologista – acode o mais velho.

 De cócoras no barranco, a primeira regra é falar pouco ou não falar.

E de posse destas ordens, foi que a conversa entre os dois começou:

 - Pedo, poique o pexe vem? – perguntou o mais novo.

- Ele vem comer a massinha e enrosca a língua no anzol - respondeu Pedo, digo, Pedro.

- Sai sangue?

- Não.

- Então, poique ele morre?

- Porque o papai falou que peixe só respira dentro da água.

- Ele não tem nariz?

- Fica quieto, Miguel!

- Não tem nariz?

- Não sei!

- Não tem nariz?

 Resolvi intervir:

- Tem, filho, mas o narizinho do peixe é só para ele cheirar.

- Então, poique ele morre?

- Morre porque a gente tira ele da água e ele morre sufocado.

O silêncio do mais novo e os olhos marejados do mais velho, ambos olhando para mim, fizeram com que eu me sentisse o mais estúpido vivente sobre a Terra. Em matéria de pescarias, era cedo demais para eles, descobri num estalo. Só a minha ansiedade justificava tal leviandade.

Mas, possivelmente, sentindo meu embaraço e em socorro aos meus arrependimentos, foi o Miguel quem quebrou o mal-estar gerado por suas próprias perguntas:

 - E não pode jogar o pexe no afalto né, pai? [Nota do Tradutor: asfalto].

- Por quê? – perguntei, fincando o cabo da vara no barranco.

- Poique ele morre atopelado – franziu o olhar.

 - Atopelado! Há! há! há! É atropelado, que a gente fala... – caçoou o mais velho, entendendo a conversa pelo lado avesso.

 O outro, bravo com a brincadeira, enfezou-se e se esqueceu do peixe.

 De certa forma aliviado, recolhendo a traia, eu também ria:

 - Entre mortos e feridos...

 Voltaremos a pescar. Tudo a seu tempo.

Por enquanto, feliz aniversário, Miguel!


Um forte abraço









Luiz Eduardo Cheida
é médico, deputado estadual e presidente da Comissão de Ecologia da Assembléia Legislativa do Paraná. Premiado pela ONU por seus projetos ambientais, foi prefeito de Londrina, secretário de Estado do Meio Ambiente, membro titular do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) e do Conselho Nacional de Recursos Hídricos.